Carolina,
Ele ia morrer um dia. E morreu. Ou não morreu- enquanto estiver vivo em você, pra você.
Você vai morrer um dia. Eu vou morrer um dia. Até a humanidade vai morrer um dia. Porque é nosso destino, é nossa sina. Veja, se não conhece, ou mesmo se conhece leia de novo, o poema que o Drummond fez, quase morrendo junto, qdo o Mário de Andrade morreu. Eu sei que você é mto inteligente (são (somos?) os que sofrem mais - porque também são os que sentem mais (não vamos reclamar, também sentimos mais as coisas boas qdo é pra sentir, reconheçamos) pra saber que você não vai dizer 'poema numa hora dessas?' Porque é sim, ajuda sim, até porque eu (que não sou chorão e acho bastrante escroto homem chorão xexelento chorando por aí a torto e a direito), então, eu, choro e chorei quase toda vez que li. Nesse caso, do Drummond, choro tb qdo leio 'os bens e o sangue' e o outro lá, q ele fez pro neto dele 'a joão maurício, infante'. Eo q ele fez pro Carlitos tb. E alguns outros. Mas voltando.
Sabe a coisa linda que o Montaigne disse sobre o amigo dele, sobre porque eram tão amigos e tal: 'porque era ele, porque era eu'.
O que vc viveu nessa história foi pouco? foi muito pouco? foi muito intenso? foi muito demais? a régua pra medir isso é fraquinha, fragilíssima. Pra gente mesmo, pra quem vive e/ou viveu uma história, mesmo enqto ela tá viva e rolando e se desenrolando, tantas vezes é tão difícil avaliar, qdo a gente tá no olho do furacão, e outra, qtas histórias lindas e ótimas de se viver, no decorrer passam por períodos de calmaria, até meio de pasmaceira, mas tão ali, acesas e qq ventinho reaviva e ficam fogo de novo e depois passam pra outro estado e tanto e tudo.
Então, claro q não vou dizer não chore e blablabla. Chore. Ria. Depois chore de novo. E depois a vida. Continua. Pro bem e pro mal. E tamo junto. Os que estamos vivos e os mortos que amamos. Muito.
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