March 27, 2009

the point is. part II. (a vida como ela é, o mundo é o bastante, muito.)

presta atenção. muita. sempre ligado. all the time. anytime.
entonces:
a vida é o enredo. a peça. o roteiro. o argumento.
o mundo é o cenário. luxuoso. luxurioso cenário.
o mundo é o bastante. sempre.
& my name is not bond, james bond.
meu nome é estou vivo e se estou vivo ganhei ingresso pra atuar nessa peça. direto.
direto, muito, muito fundo e muito intenso.
emoções a lot, mistério de sobra, mais do que bastante.
o mundo é o bastante sempre.
bond é fraquinho, leibniz é o cara:
é o melhor dos mundos possíveis, sempre, a cada momento, a cada manhã. no alaska, no saara, na saara, em paris, new york ou bonsucesso.
sempre. mesmo quando é árido, mesmo quando é seco, mesmo quando é só pele e osso.
mesmo quando vai no osso.
ou na veia do pescoço.
ou quando aperta o coração.
mesmo quando é sufocante:
é o melhor dos mundos possíveis.
é tudo que podia ser.
seremos sempre tudo o que pudermos.
ninguém pode ser menos.
então temos o cenário e a peça: a vida é a peça que nos pregaram.
não, ninguém pregou peça, nos deram um presente.
que eu posso até jogar fora. é meu direito.
a peça.
fomos escalados do nada. do nada incontaminado.
e seremos sacados do nada.
pra onde? para o nada, é minha aposta.
"pesemos os prós e os contras de apostar na existência de deus,
se ganharmos ganharemos tudo, se perdermos não perderemos nada"
pascal não era bobo, longe de mim, mas estava cego de paixão
então, tomara que eu perca minha aposta, minha não-aposta,
minhas fichas não valem nada mesmo.
aposto tudo e perderei feliz, muito feliz.

a vida é só o presente.
é o presente que temos, é tudo que temos.
é o presente que recebemos
(de ninguém que não exista)
é um imenso presente
a vida é o presente imenso que temos
pra pintar e bordar, pra fazer e acontecer

pra deitar e rolar, um presente imenso, incomensurável

absurdo presente, ofuscante, estonteante, suave, o que for, o que seja, o que faremos, o que fizermos, será. será? será. está sendo aqui agora right now.

O que podemos fazer se fomos convidados pra atuar numa peça que tem um cenário grandioso, imenso, e um enredo mínimo, quase nenhum, só pequenas marcações?
podemos amar, amar o pobre e o rico, o roto e o esfarrapado, o belo e o pobrecito, o fraco porque é fraco, o forte porque é forte, amar quase tudo, quase sempre.

o que podemos fazer?
atuar. podemos atuar nessa peça, a vida.
e devemos. devemos muito, porque o preço do ingresso é monstruoso pra entrar e mais, muito mais ainda, pra sair.pra entrar é pago em choro.
e pra sair é pago em dor, choro e ranger de dentes.
então atuar, agir, comprar, vender, trocar, trocar muito tudo, é o que podemos fazer.
não há direção, não existe rumo, nem sul nem norte.
por isso somos desnorteados. mas não somos perdidos.
não há direção. inventemos. inventaremos.
inventamos direção e diretores (not me)
e vamos seguindo as direções que os diretores,
inventados por nós, apontaram, apontam.
not me.
eu vou pra onde meu nariz apontar. devo isso a mim.
o ingresso é muito caro pra entrar e mais ainda pra sair, como vimos.
então eu não vou deixar barato.
quero tudo que puder e até o que não puder ser.
até o que não tá no cardápio.
não vou deixar barato.
é ruim hein.
é muito bom hein!

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